Audiência convocada por Glauber Nunes reforça urgência de lei que combate desinformação no município

Audiência convocada por Glauber Nunes reforça urgência de lei que combate desinformação no município

Sidnei Costa, Diretor do Sindicato dos Radialistas do Rio Grande do Sul.
André Zenobini, diretor do Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul e Editor-Chefe do Portal O Litorâneo.
Gilson Borges Corrêa, membro da Academia Rio-Grandina de Letras
Victória Silva e Suzane Barros, jornalista e coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Município do Rio Grande, respectivamente.
Luiz Fernando Oliveira, radialista da Rádio Tamandaré Online.
Victória Silva e Suzane Barros, jornalista e coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação do Município do Rio Grande, respectivamente.

A Câmara Municipal do Rio Grande foi palco de um importante debate sobre os impactos da desinformação e a urgência de políticas públicas voltadas à educação midiática, convocado por iniciativa do vereador Glauber Nunes (PT). A audiência pública, proposta pelo próprio parlamentar, teve como foco discutir o Projeto de Lei nº 105/2025, de sua autoria, que institui o Programa de Combate à Desinformação no município do Rio Grande. O encontro evidenciou um forte consenso entre diversos setores da sociedade civil sobre a necessidade de aprovação da matéria.

O peso da desinformação no cotidiano

Durante a audiência pública, o vereador Glauber Nunes ilustrou como a desinformação afeta as famílias no dia a dia: "Quem de nós que está aqui não tem uma avó, um avô, um pai, uma mãe que diz: 'eu vi na internet, eu vi no grupo de WhatsApp, então é verdade'?", questionou o parlamentar.

O autor do projeto embasou sua fala em dados alarmantes presentes na justificativa da proposta: 82% dos brasileiros se preocupam com o impacto das notícias falsas e 54% afirmam ter dificuldades em identificar se uma notícia é verdadeira ou falsa. "Isso prova, através de pesquisas, a importância de um programa de combate à desinformação, sobretudo para a educação, para a formação cidadã e a formação crítica", destacou Glauber.

Representantes da comunicação e da educação reforçaram esse cenário de sinal levantado pelo vereador. Alana Pedruzzi, Secretária de Comunicação da Universidade Federal do Rio Grande, resumiu o desafio: "Esse grande monstro que está na nossa frente é a ausência de verificação eficaz do que chega até nós". Para a jornalista do Sindidicato das Trabalhadoras e Trabalhadores em Educação do Rio Grande,Victória Silva, a disseminação rápida das falsas notícias tem explicação psicológica: "A desinformação se propaga com rapidez por conta da emoção, porque ela toca principalmente no medo e na ansiedade das pessoas".

Conde Pinto, comunicador da Rádio Studio Livre FM, atentou para o impacto nas novas gerações, apontando que "nossos jovens estão crescendo desinformados, porque não temos filtro". Já Luiz Fernando Oliveira, da Rádio Tamandaré Online, destacou o cenário de polarização nesta discussão. Para ele, "o fogo cruzado da mídia dominante que manipula de acordo com interesses comerciais" em contraste com uma "população que abusa do uso de redes sociais sem critério".

Projeto de Glauber Nunes é visto como pioneiro e necessário

A iniciativa do vereador foi amplamente elogiada como um passo fundamental de inovação legislativa. Sidnei Costa, Diretor do Sindicato dos Radialistas do Rio Grande do Sul, enalteceu a proposta: "O município do Rio Grande tá na vanguarda disso, acredito que estamos no caminho certo". Silvestre Santos, jornalista do Jornal Sou do Sul, projetou o alcance da proposta de lei criada por Glauber: "É um projeto muito bem fundamentado, principalmente na parte para que as escolas trabalhem o projeto, e que com certeza será espelhado para diversas outras câmaras municipais".

André Zenobini, diretor do Sindicato de Jornalistas do Rio Grande do Sul e Editor-Chefe do Portal O Litorâneo, afirmou que o programa de autoria do parlamentar é "um primeiro passo para melhorar a comunicação pública da nossa cidade, para atender o cidadão e ser um ativo para os veículos de comunicação e a sociedade".

O impacto prático e a urgência da matéria também foram pautas centrais. Roger da Rosa, jornalista do quadro funcional da Prefeitura do Rio Grande, relembrou fatos recentes: "Quanto mal fez a desinformação durante a pandemia e os reflexos que temos até hoje". A fala ganha ressonância na própria justificativa do projeto de Glauber Nunes, que alerta sobre como a circulação massiva de conteúdos enganosos sobre vacinas gerou danos à saúde pública. Por fim, Suzane Barros, coordenadora do SINTERG, fez um apelo ao Legislativo: "Essa casa precisa urgentemente aprovar por unanimidade esse projeto. Isso sim atende a toda a população rio-grandina e a todas as idades".

Principais pontos do Projeto de Lei (PL nº 105/2025) do vereador Glauber Nunes

O Programa de Combate à Desinformação, idealizado pelo vereador Glauber, propõe uma série de medidas educativas e preventivas. Confira os destaques previstos no documento ou acesse o projeto clicando aqui.

Definição clara: O texto classifica desinformação como o acesso a conteúdo falso, enganoso, fora de contexto ou manipulado, com a intenção de enganar.

Foco na Educação Midiática: O grande objetivo é conscientizar sobre os impactos do ambiente digital e fomentar o acesso a informações confiáveis, com atenção prioritária a idosos, crianças e adolescentes.

Proteção aos mais vulneráveis: A justificativa do projeto aponta que cerca de 64% das pessoas com mais de 60 anos já compartilharam informações falsas sem perceber. O programa prevê a capacitação voltada a esse público.

Ações nas escolas e comunidades: Estão previstas oficinas, palestras e debates em escolas sobre identificação de informações falsas.

Parcerias e Campanhas: O texto estimula parcerias da prefeitura com plataformas digitais, veículos de imprensa e universidades para campanhas e materiais educativos.

Ferramentas e Concursos: Sugere a criação de painéis interativos em pontos de ônibus sobre como identificar mentiras, concursos educativos de vídeos e textos, e a implementação de um canal de denúncias de desinformação.