O descerramento da placa da Rua Ogum Onira não é apenas uma mudança no mapa da cidade, é um ato fundamental de reparação e reconhecimento. Fruto de uma construção coletiva, a nova legislação coloca Rio Grande em destaque no cenário das políticas públicas de promoção da igualdade racial no Rio Grande do Sul.
O projeto, de autoria do Vereador Glauber em conjunto com a Vereadora Regininha, nasceu da base e da escuta ativa das comunidades de matriz africana. A articulação foi conduzida pelo Chendler Siqueira, da Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, atendendo a uma iniciativa do Pai Michael de Oliveira, dirigente espiritual do Reino de Ogum Onira.
A sanção da lei pela Prefeita Darlene Pereira e o apoio institucional do Conselho Municipal do Povo de Terreiro foram decisivos para transformar esse anseio da comunidade. Sobre a importância do ato, Chendler Siqueira destacou o papel da gestão pública:
"O município tem investido na criação de políticas que ressaltem a diversidade. Quando o Executivo reconhece a importância dos terreiros, ele está resgatando a dignidade que estes espaços merecem", pontuou o coordenador.
Rio Grande é historicamente reconhecida como o berço nacional do Batuque e estadual da Umbanda. Atualmente, o município já conta com mais de 950 casas tradicionais cadastradas pelo Mapeamento Socioeconômico e Cultural. A expectativa é que, ao final do mapeamento, o número ultrapasse as 2.000 casas de matriz africana, consolidando a cidade como um polo de resistência e identidade religiosa.
"Isso é um marco para a história de Rio Grande e para o Rio Grande do Sul, que tem em suas raízes a história do povo negro — o povo que construiu este estado", afirmou o Vereador Glauber.
Para as lideranças e o povo de terreiro, a oficialização da rua representa a materialização de décadas de luta contra a invisibilidade e o preconceito. O Pai Michael de Oliveira expressou a emoção de ver a fé ocupando o espaço público de forma oficial:
"É um trabalho de dia após dia, de estar presente, de correr atrás, de fazer e de sonhar. E hoje consegui, com a luta e com a crença dos Orixás", celebrou o dirigente.
A oficialização da Rua Ogum Onira é um passo importante no respeito à memória de Rio Grande e um símbolo de que as tradições de matriz africana são parte indissociável da nossa identidade e fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e plural.